:))

29 de maio de 2012

sobre a instabilidade das coisas

e bem, ontem eu estava toda disposta, cheia de gás e com vontade de viver. Mas as coisas mudam de repente (e eu poderia culpar o universo, o tempo, o calor, a tpm, mas não vou), e eu fico extremamente inquieta, frustrada e mal humorada. A minha única vontade nesse momento é esquecer que existe um mundo lá fora que me espera. Posso encontrar um livro confortável e deitar na minha cama por tempo suficiente até ter coragem de me levantar? Merda, nem tenho um livro tão confortável assim. Acho que terei que recorrer a alguma dessas livrarias que têm sofás ou corredores enormes, que abrigam aqueles que querem ler.

négocio chatinho esse de depender de neurotransmissores e hormônios e todas essas coisas chatíssimas de biologia. Tinha dito que não ia culpar nada, mas posso culpar meu cérebro, né? Ele é o culpado por tudo isso, como bem sabemos. 

não dá para simplesmente pular essa parte, pessoa aí de cima? pulemos as partes tediosas da vida, os momentos que não queremos viver, as conversas constrangedoras e as aulas de alemão que nunca acabam. Esqueçamos essas partes insuportáveis e pulemos diretamente para o sono tranquilo, o sorriso no rosto, o filme que emociona, o livro que conforta e o abraço que te reequilibra.

não que pedir algo para alguém que não existe seja eficaz, eu sei. Só que vez ou outra, naquele momento de desespero, eu perco a noção do real e do irreal e fico assim, meio confusa, meio delirante.

e (mais uma vez) isso aqui é um texto sobre nada muito coerente, sobre aquilo que nem eu mesmo consigo explicar, mas é tão real e causa tanta dor que parece parte de mim.
muitas lágrimas e muitos conflitos para esses olhos e cérebro tão pequenos.

28 de maio de 2012

sín embargo me recuerdas alguien que una vez conocí

tudo era tão diferente desde que ele havia aparecido em sua vida. Sim. As coisas eram mais alegres, tudo ao seu redor parecia mais vivo. Aquela sensação que por anos ela desejou ter, finalmente havia se tornado realidade.
ele tinha os cabelos e olhos bem pretos e um sorriso desajeitado. Seus dentes inferiores eram tortos, mas nada que tonasse sua aparência bizarra, pelo contrário. Os dentes tortos combinavam com aquele sorriso duvidoso, perdido, que parecia pedir licença para se mostrar.
e os olhos...ah, seus olhos brilhavam de um jeito mágico. Ele conseguia sorrir com os olhos. Era impossível não ficar encantada e sorrir de volta quando os olhos dele a encontravam.
para ela, tudo isso parecia irreal. Como poderia sentir-se tão bem assim? E como seu bem estar poderia ser extremamente dependente de uma pessoa? Ao mesmo tempo que encontrava-se perdidamente feliz, ela sentiu medo.
medo porque não possuía mais domínino sobre si. Ela estava nas mãos dele. E se ele fosse embora? Se ele a largasse? Se ele a deixasse, a relação de felicidade e contentamento que teria com si mesma iria embora. Como ela pudera chegar ao ponto em que viver bem era depender do outro?
até onde ela sabia, o amor não devia basear-se nisso. Ela precisaria primeiro gostar e ter prazer consigo mesma. Depois disso, estaria pronta para ser feliz com qualquer um.
encontrou-o naquele café de sempre. O mesmo no qual ela conheceu aqueles olhos pretos que a deixavam perdida. Ele sorriu com os olhos e ela sentiu-se triste. Triste pois teria que abandonar a melhor versão de si mesma que vira até então. "Primeiro tenho que encontrar a felicidade em mim mesma" - pensou. Ela disse a ele que era imensamente feliz por tê-lo conhecido e que sem ele, ela ainda seria a mesma garota perdida e sem propósitos de tempo atrás. Ele ficou triste, e ela nunca viu os olhos dele tão vazios como naquela tarde. Dessa vez, ao sorrir, ela tava a impressão de que seu sorriso parecia torto, desproporcional, confuso. Ela chorou. Ele disse que isso não precisava acontecer. Ela negou. Beijou-o na bochecha e saiu.
aquilo era preciso. Ele conseguiria seguir em frente porque amava a si mesmo. Ela precisava disto também. E realmente sentia-se feliz por ele ter dado essa oportunidade a ela. Talvez o amor seja isso. Abrir portas para o outro viver melhor, mesmo que isso signifique separação. Amava-o pois ele deu a ela a oportunidade de expandir esse amor.*

*15/06/11, no cursinho, esperando alguma aula começar.
chorei porque é estranho encontrar uma pessoa que te aceite dos dedos do pé aos fios de cabelo (mesmo que sujos e oleosos). Acho que só senti esse amor de alguns familiares e poucos (ou apenas um, não sei) amigos. Chorei porque não acreditei que você não estava brava por eu ter dormido em sua presença. Tenho sono leve, fácil, como você já percebeu. Me coloque perto de uma cama e eu me sinto totalmente atraída para o mundo da imaginação dos sonhos. E quantas mil pessoas já reclamaram dos meus hábitos de sono? Tantas, tantas...Meu pai? Já perdi as contas. As amigas? Ficavam extremamente chateadas quando íamos ao cinema e eu dormia (nos filmes chatos, tá?) ou quando marcávamos sessão de filmes na casa de alguém e eu não conseguia ficar com os olhos abertos.

nunca entendi muito bem o motivo de tanta chateação. Me incomoda imensamente essa ideia de que devemos seguir um padrão de convivência e de hábitos - até mesmo os relativos ao sono. Essa ideia doida que as pessoas têm de que se eu dormir ao seu lado, é porque não gosto de você o suficiente. Falta o raciocínio a essas pessoas? Se eu não gostasse o suficiente, ou se eu não quisesse estar ali, eu estaria jogada em minha cama, que é feita exatamente para mim, para os meus pesos e minhas dores. De uma forma ou de outra, dormir na presença de alguém que amo, é uma forma de dizer "ei, posso estar com sono, mas prefiro dormir aqui, perto de você". Só que nunca entenderam isso muito bem. E eu já desisti de explicar. Desisti de me justificar. Em 2012 eu estou aprendendo a desapegar, a deixar ir. Aquilo que eu sempre propaguei, mas sempre tive dificuldade em cumprir: let it go. Algumas pessoas vem e outras vão. Às vezes, você terá uma maré de azar e 3, 4, 5 pessoas irão de uma vez só (como foi comigo), mas pretendo aceitar. Acho que a vida é como o oceano. Ele sempre se recicla. Por mais que queiramos aquela boía colorida ao nosso redor, aqueles óculos de natação legal ou aquele bíquini perfeito sempre por perto, mais cedo ou mais tarde eles podem ir embora. Até porque, o tempo passa. Não cabemos mas na boía nem no bíquini, e os óculos estão arranhados.

chorei por saber que não machuquei você sem querer. Chorei por saber que você não dúvida do meu amor e nem da minha atenção. Quando eu durmo perto de você, saiba que te amo em silêncio.
depois de um final de semana tão levezinho, fico com uma vontade maior de ir lá fora e viver todas as coisas (chatas, infelizmente) que devem ser vividas, que devem ser resolvidas. Pizza, bolinho Ana Maria, yoggo, suco e A. parecem a combinação perfeita para um final de semana preguiçoso e feliz.

isso aqui é só mais um esboço louco sobre como eu me sinto bem quando A. está por perto.

12 de maio de 2012

resultado da insônia

bem, bem. Os resultados da insônia dessa vez foram diversos (insônia aliada ao desejo de não querer ir dormir para não faltar o alemão):

1) uma caixa de Bis devorada ao longo da noite e da madrugada
2) milhões de emails do passado relidos - vale ressaltar que alguns eu não entendi, outros eu dei risada e bem...fiquei feliz por perceber que tudo passa. Aquilo que antes doía e fazia o coração ficar todo espremido, hoje nem faz cócegas
3) gastei alguns preciosos minutos fazendo desenhos aleatórios e colorindo o que eu achei que seria o esboço da minha tatuagem, mas obviamente não deu certo. Não nasci pro desenho e as coisas legais só existem na minha cabeça, é impossível passá-las para o papel
4) escutei o programa Queer Eye for The Straight Guy
5) tomei Toddynho
6) ouvi músicas aleatórias no youtube

(e bem, a lista continua, mesmo que mentalmente. Afinal, ainda faltam algumas horinhas para eu ir à aula. E por que não irei faltar? Porque na próxima aula eu não estarei presente. Irei à Parada do Orgulho Louco, claro)

beijos pra mim mesma.

10 de maio de 2012

e eu tenho essa vontade de mudar a rota do meu caminho, mas quero conhecer qual estrada vou seguir, sabe? É como dizer que eu vou pegar a primeira estrada que aparecer, só que tendo um mapa em mãos. Na verdade, eu não iria me perder se não quisesse. Se em algum momento a sensação de estar perdida fosse sufocante, eu sacaria o mapa da mochila e ufa, poderia respirar, tudo estaria bem. De um jeito até coerente, isso não me parece muito certo. Não parece ser desapego de verdade. E o que eu preciso pra me desapegar totalmente? Preciso ficar doente? Preciso ver a morte de perto? Preciso morrer de fato?

a vontade de jogar tudo pro alto e sair por aí, literalmente, continua pulsando loucamente aqui dentro. O grande problema é que a coerência tem um poder muito forte em mim e pulsa tão loucamente quanto a incoerência, e na maioria das vezes a coerência grita mais alto. A coerência diz que eu tenho que terminar a faculdade, arranjar um emprego "legal", guardar dinheiro e assim, dar vazão à incoerência. E se eu achar necessário, a coerência vai estar lá, me esperando (mesmo que virtualmente), em algum banco do mundo. A coerência nem termina de gritar na minha cabeça e a incoerência já vem loucamente, chutando tudo e dizendo que eu devo ser forte. Diz ela que a coerência surgirá quando eu permitir que a incoerência tome total poder sobre mim. A incoerência falou que a coerência que eu tenho agora, na verdade, não existe. É apenas uma criação mental, uma criação coletiva e ilusória para dar uma falsa sensação de segurança - não só a mim, mas a todos os outros humanos que precisam de algo para que continuem seguindo regras pré estabelecidas. É, a incoerência disse que esse é o papel da coerência (que no final das contas, nem tem definição coerente): fazer com que levemos a vida como rôbos, automaticamente nos dando uma sensação aconchegante, de segurança. Que merda, a incoerência tá cutucando a ferida e pergunta se eu nasci para ser um robô. Se eu vou morrer sendo esse robô que sou hoje, esse ser inerte. "Espera um pouco, por favor, só mais alguns anos" - digo sussurando para a incoerência. Ela grita, esperneia e diz que não aceita que eu viva a vida tão pra dentro, tão calada, aos sussuros. A incoerência diz que ela está ali pro agora, pra esse momento e que eu devo aproveitá-la ou ela vai ir embora e tcharam, eu serei mais um ser humano (totalmente) robô que tem o cérebro dominado por uma coerência que não é questionada e muito menos destruída.

me espera, incoerência? me espera?
eu já vou, juro...